quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Ah, tolinha!



Quando eu tinha mais ou menos oito, nove anos, morava em um lugar com muitos eucalíptos e com um clima que proporcionava o bailar dessas árvores. Sempre que chovia, ventava exageradamente e pra mim era quase uma dança fúnebre. Tinha pavor. Imaginava que a qualquer momento aqueles galhos elásticos iriam entrar teto a dentro!
Tenho algumas manias que chegam a ser paúras. Algumas pessoas sabem de algumas, outras sabem de poucas ou nenhuma. Uma dessas excentricidades, é que quase sempre penso em tragédias, daquelas (im)possíveis de acontecer, com probalilidades que até a Nasa gostaria de discutir a respeito!
Se estou dirigindo vem à minha mente que o cara não arrumou o pneu direito, ou a barra de direção vai partir e eu vou junto. Ou antes de dormir penso num incêndio. Já imagino me jogando do sétimo andar com notebook e cachorro a tiracolo. Corro e em dias de chuva penso que um raio pode me atingir e visualizo um velório, caxão lacrado e comadres pra cuidar do ex-marido. Tem também as tops de linha. Do caminhão da frente soltar alguma coisa e atingir minha garganta, ou o piso do elevador despencar com ele. Esse eu até ja ensaiei onde vou colocar os pés caso aconteça. A mais recente é com comida. Sabe a história da menina que morreu e primeiro foi amputado mãos e pés?Pois é, tudo que como eu penso, será que vai acontecer comigo? Tem microorganismos e bactérias que vão comer meu aparelho digestivo?
Realmente não sei de onde vem tanta mirabolice, mas depois de fazer do meu ócio uma fonte de pensamento, vi que talvéz seja por ter medos absurdos que continuo saindo da cama. Dirijo, corro, entro em elevadores, arrisco cozinhar e viver. Invento receitas pra minha vida com pitadas de ousadia e ingredientes de risada da minha própria tolice.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Cartoons


O cartunista Bob Flynn tem uma teoria simples e interessante. Segundo ele, um personagem de desenho animado inesquecível, além de ser único e original, possuí um design muito forte. Ele revela que esse design forte vem das suas formas bastante contrastantes e que, por isso, podem ser reduzidas a simples silhuetas singulares. E é aí onde a brincadeira começa…As sombras das celebridades dos desenhos!!!

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Ilumina-me



"Gosto de ti como quem gosta do mundo,
Gosto de ti como quem abraça a vida,
Gosto de ti como quem vence a demora,
Como quem crê no agora,
Como quem traça um destino,
e à beira-rio faz um hino,
na margem deixa uma voz
talvez um pedaço de nós
nesta distância que tem fim.

Gosto de ti como quem se adoça na pele,
Gosto de ti como quem solta uma asa,
Gosto de ti como tinta e pincel,
Como a palavra no papel,
Como quem solta um balão,
um sonho a ganhar dimensão,
num céu de azul e poema,
um toque, um beijo, um lema
E um mapa de mim para ti.

Enquanto não há amanhã,
Ilumina-me, Ilumina-me.(...)

Gosto de ti como as mãos na maresia,
Gosto de ti quando a relva se refresca,
Gosto de ti quando em mim se inicia,
Esta saudade tão bravia,
Como uma haste de fé,
um gesto em rodapé,
e num desejo tão estreito
uma luz em que me deito
E um tempo só para nós.

Enquanto não há amanhã,
Ilumina-me, Ilumina-me.(...)"

*Versão adaptada por mim!





quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Diálogo entre loiras...




Tsc Tsc Tsc=¬

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

...e eu não existo sem você


Os objetos pareciam ganhar vida. A programação da t.v. tinha adivinhado seu estado e conspirava munido a filmes água com açúcar e romances misturados ao drama, nem o clima favoreceu. A planta dançante não balançou nem respondeu se precisava de água. Era nítida a falta e o vazio. Experimentou uma saída com os amigos regada a risadas e conversas divertidas. O lugar vago ao lado dela continuava ali, intacto, como se estivesse reservado ao dono do sorriso largo e olhos pequenos. As músicas lembravam as dancinhas engraçadas e os exemplos de situações vividas pareciam ter saído do baú dele.
Sim, o equilibrio e controle da situação tinham sido levados pela enxurrada de lágrimas que brotavam sem razão e sem esforço. As noites e dias se invertiam, como tentativa de acelerar o tempo, ou não vê-lo passar. Os cheiros e vestígios de que tinha passado ali, alguém ligeiramente mais desorganizado que ela havia ido embora junto com sabão em pó e amaciantes.
Essa semana decidira que espalharia fotos pela sala e quarto. Não pelo medo de que a ausência se tornasse parte da vida dos dois, mas pra reforçar que ele voltaria, que ela seguraria a barra por mais dez dias e meio e que nada os levariam pra caminhos opostos novamente.


Eu sei e você sabe
Já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe
Que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos
Me encaminham a você.

Assim como o Oceano, só é belo com o luar
Assim como a Canção, só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem, só acontece se chover
Assim como o poeta, só é bem grande se sofrer
Assim como viver sem ter amor, não é viver
Não há você sem mim
E eu não existo sem você!"

domingo, 9 de novembro de 2008

Já deu,né?!



Chega de Saudade

Vai minha tristeza,
e diz a ele que sem ele não pode ser,
diz-lhe, numa prece
Que ele regresse, porque eu não posso Mais sofrer.
Chega, de saudade
a realidade, É que sem ele não há paz,
não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim, não sai de mim, não sai

Mas se ele voltar,
Que coisa linda, que coisa louca
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos que eu darei
Na sua boca,
dentro dos meus braços
Os abraços hão de ser milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado assim
Abraços e beijinhos, e carinhos sem ter fim
Que é pra acabar com esse negócio de você viver sem mim.
Não quero mais esse negócio de você longe de mim..


sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Xérox e interrogações!



Meu pai costuma dizer que o corpo humano nada mais é que uma máquina de xérox. Que nossas células são como as cópias que são tiradas. Quanto mais cópias, menos claras e perfeitas ficam...o que significa envelhecer, ou amadurecer! Mas a impressão que tenho é que quanto mais amadurece, obtém experiência, sabedoria e todos os adjetivos possíveis e cabíveis, mais me parece que a vida se emaranha, se complica. Geralmente sem motivo ou vontade própria, e de uma forma quase cômica, volta-se as fases dos "por quês", dos "como assim" e de interrogações antes inexistentes. E não chego a pensar na fase de crise existencial, mas de situações antes postas, mas não questionáveis.
Acho que herdei a praticidade da minha mãe. Prefiro encarar os fatos como vêm à mim e me moldar conforme a necessidade. Dançar conforme a valsa e fazer da jaca, a pantufa! Não é comodismo nem preguiça. Algumas situações são praticamente imutáveis, como a velhice. Vai chegar, cedo ou tarde, então melhor eu preparar o terreno hoje, pra tranquilizar-me amanhã. E alguns capítulos da vida são assim também. Gostando ou não, querendo ou não, passa-se por eles então nada melhor que agarrar às oportunidades e momentos as vezes servidos em doses homeopáticas para se fortalecer e crescer.